“O Dia Seguinte” ou “E agora José?”

Meu Pai, ainda muito pequeno, viveu as agruras provocadas pela 1ª guerra mundial (1914-1918). Para agravar, meu Avô perdera todas as suas posses. Era caixeiro viajante e suas disponibilidades estavam em marco alemão que passou a valer menos, na época, que um Bolívar Venezuelano nos dias de hoje.

Contava-nos todas as privações que passaram, ele e seus dois irmãos que tiveram que ir morar com um Tio. Nada foi impeditivo para que todos três se formassem em Medicina pela UFBa. Meu Pai, o mais novo, se formou aos 22 anos.

Já adulto, serviu ao exército na época da 2ª guerra mundial onde nos relatava sobre os constantes toques de recolher, assim como o sumiço dos materiais no mercado, que em sua maioria eram importados da Alemanha, causando tremendo desabastecimento.

Dando um salto na história, em 1986 vivemos a loucura do Plano Cruzado. Uma irresponsabilidade sem tamanho, conduzido por gente sem experiência para conduzir a economia. Em poucos meses faltava tudo nas prateleiras, principalmente nos supermercados, tal qual em época de guerra.

Logo a seguir, em 1990, lá vem outra aventura econômica promovida, segundo as palavras de um ex-ministro, pelos “New Kids on the Block” numa referência a um grupo musical de guris. A frase completa foi: “saem Os Cariocas e entram New Kids on the Block” ao responder a um repórter sobre a diferença entre a equipe econômica anterior e a que entrava, fazendo uma divertida alusão à nova turma que, além de não ter nenhuma experiência prática, era fraca. Deu no que deu.

Agora vivemos uma crise econômica sem precedentes na história mundial. Nem durante as duas grandes guerras houve uma paralização de tal monta em todo o planeta, com pessoas confinadas em suas casas, como estamos vivendo. A guerra agora é outra.

Neste momento, não estão faltando videntes para prever o óbvio: “O mundo do trabalho não será mais o mesmo após essa pandemia”. “A internet vai matar muitos negócios” e por aí lá vai.

Muitas pessoas estão trabalhando em Home Office e os empresários estão percebendo que existem custos desnecessários e muito provavelmente, não irão mais querer continuar a absorvê-los pós crise.

Ora, há 8 anos fiz uma consultoria de planejamento para a equipe Norte-Nordeste de uma determinada empresa com sede em São Paulo e desde aquela época, eles não tinham nenhuma estrutura física aqui na região. Todos trabalhavam Home Office e uma vez por mês os Gerentes estaduais se encontravam para acompanhamento e avaliação de resultados. O que se prevê agora como o futuro, já existia há uma década.

Quando liderei uma empresa nos EUA e Canadá, apesar de termos o escritório em Irvine-Califórnia, nossa equipe se reunia por vídeo conferência semanalmente onde participavam todos os Diretores que estavam sediados em oito regiões distintas nesses dois países e todos trabalhavam de suas casas.

Voltando ao momento atual, alguns já profetizam que não haverá mais escritórios físicos, consultorias presenciais, lojas onde você possa escolher seu produto manuseando-o, restaurantes só serão viáveis com delivery e tantas outras previsões. Algumas óbvias. É como não ter previsto que a Netflix iria liquidar as vídeo locadoras.

Sou de opinião o COVID-19 não é o asteroide que exterminou os dinossauros há 65 milhões de anos e agora voltou travestido. Lembremos que as baratas já habitavam a terra há 300 milhões de anos, as tartarugas há 150 milhões de anos e não foram exterminadas. Ambas as espécies sobreviveram ao grande impacto que liquidou os dinos.

O que essas e outras espécies que sobreviveram a tantas transformações no mundo nos ensinam? Quais suas principais características que os fizeram sobreviver?Resiliência, capacidade de adaptação, viver com poucos recursos, fugir dos predadores naturais, além da famosa seleção natural de Charles Darwin.

No mundo empresarial não será diferente. Teremos que nos adaptar ao que uma crise nos impõe e extrair os aprendizados necessários para estarmos preparados para a nova crise que virá e tenham certeza que está por vir. É apenas uma questão de tempo. Entre o Plano Cruzado e o Plano Collor foram apenas 4 anos.
Entre a gripe SARS (2002) e a gripe Suína (H1N1 – 2009) se passaram 7 anos. Nesse meio tempo e até depois houve ainda o Ebola sem falar do surto da AIDS na década de 80.

Como os empresários devem estar preparados para a próxima crise que irá impactar a economia, seja por razões políticas ou de saúde?

Ouvi de um empresário com quem estávamos negociando um contrato de consultoria com acompanhamento e desenvolvimento humano que “esse não era o momento para repensar sua empresa e modelo de gestão” ou de “empresariamento”, melhor dizendo. Mas quando estava tudo bem, sem dores, não havia a preocupação em planejar o futuro o estruturar as finanças.

Sem querer puxar a brasa para minha sardinha, esse é exatamente o momento para envolver suas equipes e planejar a travessia para estar preparado para o Dia seguinte e para a próxima crise. É a hora de ver quem está no barco e quais os ratos que serão os primeiros a fugir ao menor sinal de que a embarcação está “fazendo água”.
Me perguntaram o que não deveria ser feito nesse momento. Imediatamente me veio a mente a resposta: “não ser pessimista.” Lembrei o que um grande empresário com quem convivi repetia: “Um empresário não pode ser um pessimista, senão ele não é um empresário. É um terrorista.”
  • Elevar o moral da sua equipe e liderar a distância com disciplina e responsabilidade será o desafio maior desse período.
  • Cerque-se de pessoas competentes, experientes, dedicadas e com brilho nos olhos.
  • Nada deve ser impeditivo para perseguir seu sonho. Meu Pai conseguiu nas piores condições.
Você também conseguirá!


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